Participei neste sábado de um encontro, organizado por jornalistas que atuam com internet, chamado NewsCamp. A idéia é bem interessante: reunir as pessoas que estudam ou trabalham na área para debater alguns temas importantes.
Mas antes de falar do no NewsCamp, vale um pedido de desculpas: primeiro, porque um evento que foi criado e disseminado de forma “viral”, na rede, em blogs, deveria ser divulgado pelos próprios participantes, o que eu não fiz (minha desculpa: primeira semana de trabalho, não tive tempo de fazer nada…). E também porque não pude participar até o final, o que eu queria, e muito.
A estrutura escolhida foi a de desconferência. Funciona assim: diferente de uma conferência, onde uma ou mais pessoas preparam uma palestra e a apresentam ao público, a desconferência não tem nada preparado. O público decide, na hora, sobre o que quer falar. Lança-se o tema e cria-se o debate, cada um apresentando suas opiniões, experiências ou dúvidas. Como participam da desconferência pessoas que, de alguma maneira, estão envolvidas no assunto (neste caso específico, todos eram ou jornalistas, ou comunicadores ou blogueiros), todos têm algo de interessante a falar ou algo que queiram ouvir.
Eventualmente essa estrutura gera algum ruído. Mas, diferente de um formato mais engessado, a participação na desconferência é muito maior, e o debate pode sair enriquecido.
O tema escolhido para a primeira rodada de debates é um dos mais quentes atualmente, quando se fala em jornalismo e blog: monetização, ou seja, como ganhar dinheiro com um blog. A pergunta inicial colocada é se era viável, no Brasil, um projeto nos moldes do weblogssl, da espanha. Nesse projeto, foi criada uma rede de blogs, e cada um deve produzir uma determinada quantidade de contúdo por dia. Atualmente mais de 300 blogueiros dessa experiência já vivem só de seus blogs, sem precisarem de outros empregos para se manterem.
As críticas à aplicação desse modelo no Brasil se concentraram em dois temas. O primeiro: aqui não existiria, ainda, um mercado consumidor para esse tipo de informação, pois ainda não foi feita uma inclusão digital e as classes mais baixas da sociedade não têm acesso aos blogs .
Acho esse argumento um tanto complicado, porque acredito que o consumo de informação independe da inclusão das classe C e D. Sério, infelizmente no Brasil quem consome informação são as elites. A não ser que a informação seja mais popularesca, como um blog sobre o Big Brother, por exemplo (sem preconceito. Só estou supondo que o público alvo do BBB pega as classes C e D, mas tenho certeza que a elite também assiste).
O segundo argumento é um pouco mais consistente. Para um blog gerar lucro, é necessário audiência, e para conseguir essa audiência o blogueiro precisa investir muito tempo no blog, talvez até exclusivamente, e o retorno é demorado. Supondo que demore uns dois anos para um blog se viabilizar financeiramente, do que o blogueiro vai viver durante ese tempo?
Essas são as principais questões. Apesar da divergência, acho que numa coisa todos concordam: vai demorar um pouco para que o blog seja visto como uma proposta estável de profissionalização, mas isso é apenas uma questão de tempo.
PS:
Muitos blogs esreveram sobre o NewsCamp. Não os listo agora não só por falta de tempo, mas porque eles já estão listados. Veja a repercussão do evento em outros blogs.
Boa argumentação, Bruno. Já expus um pouco do que rolou no evento lá no blog oficial, mas devo escrever alguma coisa ainda hoje sobre o episódio na parte da tarde (você foi embora antes, não?), que até agora ainda não consegui digerir.
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