Bom, antes de mais nada gostaria de me desculpar com aqueles que por algum motivo entraram nesse blog e não encontraram conteúdo novo. De fato, devido principalmente ao trabalho, não consegui atualizar o blog.
Muita coisa aconteceu nesse tempo. Só para se ter uma idéia, tive a oportunidade de passar uma semana no Pará, cobrindo o Encontro Xingu Vivo Para Sempre. Para quem não sabe, trata-se de um encontro de índios, movimentos sociais e ribeirinhos contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, e acabou ficando “famoso” devido a um incidente envolvendo índios e um engenheiro da Eletrobrás, que saiu ferido.
Publicamos amplo material sobre o encontro, que pode ser acessado no site www.amazonia.org.br/altamira, e estamos fechando um texto final. Sei que já passou da hora de publicá-lo, mas ainda falta a entrevista com o engenheiro… de toda forma, assim que ficar pronto eu postarei aqui, até para esclarecimentos de quem me pergunta se eu não senti medo dos índios, como se fossem os verdadeiros agressores.
Aproveito para falar sobre a Vale do Rio Doce. É que depois de voltar do Pará me deparei com a propaganda (veja aqui) que diz que “é possível transformar minérios em sonhos”. Sonhos de quem? O que vi no Pará, na verdade, foi muito sofrimento, muita luta, de pessoas que tem suas vidas consumidas para que grandes empresas tenham minérios, energia, combustível, madeira etc. Como poderia, depois de conversar cara a cara com um líder ribeirinho ameaçado de morte por ir contra interesses dos grandes, depois de falar com o pessoal do Movimento dos Atingidos por Barragem que perderam suas casas para que uma hidrelétrica possa alimentar a indústria de minérios, achar que esse “sonho” é para a gente?
É possível transformar minérios em vida? Pergunta difícil de responder. Eu faria outras perguntas, com certeza mais fáceis: é possível transformar minérios em exclusão social, degradação ambiental, concentração de riquezas, conflito de terras? Certo, desculpa o sarcasmo. Mas essas coisas me entristecem.
PS de julho/08:
Bons artigos foram publicados sobre o caso de Altamira. Separei alguns:
Os povos indígenas do Xingu e a hidrelétrica Belo Monte, por Dom Erwin Krautler;
O que o Brasil não viu em Altamira, por Verena Glass;
Xingu vivo para sempre, vida e cidadania para seus povos, por Ana Paula Santos Souza e Jean Pierre Leroy;
Guerra mundial no Xingu?, por Rodolfo Salm;
Belo Monte: Hidrelétrica amaldiçoada, por Flávio Lúcio Pinto.