O aniversário de São Paulo já passou, mas a cidade ganhou o “presente” esta semana: mais de 700 mil carros de volta à cidade devido à volta às aulas. Para quem enfrenta o trânsito todos os dias, a ida ao trabalho começa a piorar, os ônibus estão mais cheios e o tempo usado para ir de um lugar ao outro já aumentou (ou melhor, voltou ao “normal”).
Não por acaso os recordes de congestionamento da cidade aconteceram nesta época do ano passado. O mês da volta às aulas costuma deixar o trânsito louco. Após a cidade registrar mais de 260 quilômetros de lentidão nos horários de pico, a prefeitura lançou alguma medidas – paliativas, na minha opinião – para resolver o problema, como limitar a circulação de caminhões em algumas vias importantes.
Na primeira segunda-feira após o carnaval essas medidas serão colocadas à prova. Se foram elas que resolveram o problema no ano passado, não devemos ter novos recordes. Se forem, como eu temo, medidas paliativas, o trânsito vai piorar. Isso sem esquecer o agravante das “águas de março fechando o verão”.
Paralelo às medidas da prefeitura, o governo Serra acaba de lançar uma nova proposta para controlar ao mesmo tempo trânsito e poluição do ar. Trata-se de uma ideia já antiga e bastante controversa: o pedágio urbano.
A proposta procura desestimular o uso de transporte individual não só na capital paulista, mas nas regiões metropolitanas do estado (Grande São Paulo, região metropolitana de Campinas e Baixada Santista). Os pedágios seriam cobrados em vias que ligam as cidades das regiões metropolitanas.
Pessoalmente, ainda não tenho opinião formada sobre o pedágio urbano, mas acho que apoiaria a proposta – ao menos pela experiência -, porque manter a situação do jeito que está é loucura e crueldade com os paulistanos.
Quanto a esse projeto do governo, me parece estranho cobrar pedágio entre as cidades, ao invés de colocar um nos acessos a Praça da Sé ou na Paulista. Tenho receio de que essa ideia acabe prejudicando quem mora na grande São Paulo e precisa vir para a capital todos os dias para trabalhar.
A proposta de pedágio tem também outro problema, no plano filosófico. Pagar pelo direito de usar uma via não contribui para conscientizar a população de que existe um problema de excesso de veículos na cidade. Pelo contrário, argumentos como “estou pagando, então uso o meu carro do jeito que eu bem entender” podem se tornar comuns.
Veja também: O culpado pelo trânsito é o carro
É o caos na terra, Bruno (aqui, acho que tem que usar o nome mais formal – e bonito, né?)
Eu, aqui do interior, faço minha parte: não tenho um pingo de vontade de ‘fazer a vida na capital’ (rs!). Só vou visitar os amigos e resolver questões que seriam impossíveis de resolver daqui (como no próximo fim de semana).
Mas é bom que as autoridades também pensem em formas de evitar que o caos chegue a cidades do interior. Aqui em Bauru as coisas já estão estranhas, e tenho certeza que a questão ambiental não passa nem perto dos fatores que influenciam uma compra de carro. Fora que o transporte coletivo não vai bem das pernas e não fornece acesso a todas as regiões da cidade.
Onde vamos parar?
Beijos,