Recebi esses dias um e-mail com um vídeo que falava sobre anorexia e remetia a imagens de um comercial da Dove. Esse e-mail me motivou a ir atrás dessa campanha, que só conhecia de ouvir falar, e, apesar de ser antiga (outubro de 2007), acho que justifica um post aqui sobre a responsabilidade que as empresas precisam ter quando fazem um comercial.
Trata-se da campanha internacional da Dove de retratar as mulheres como elas realmente são, e não como a indústria da beleza geralmente as retrata. Os vídeos são impecáveis, belos visualmente, e fortes: Na peça abaixo, a mensagem “Talk to your daughter before the beauty industry does” (Converse com sua filha antes que a indústria da beleza o faça) é certeira.
Curiosamente, a propaganda era tão boa que gerou algumas reações contrárias – não em relação à peça publicitária, mas às atitudes da empresa que fabrica o Dove, a Unilever.
A primeira constatação era a de que a Unilever trabalhava com dois pesos e duas medidas. Porque enquanto a empresa chama a atenção para o absurdo da indústria da beleza, ela faz exatamente o que critica com outro produto, o desodorante Axe. Nas campanhas da Axe, as mulheres são meros objetos sexuais atraídas para o homem que utiliza o produto.
A Unilever também foi alvo de uma forte campanha da organização ambientalista Greenpeace, que numa sátira da propaganda da Dove questiona a destruição causada pelo óleo da palma: esse produto é cultivado na Indonésia, e a Unilever é um dos principais compradores, justamente para fazer o sabonete Dove.
O mais interessante é que, em apenas duas semanas de campanha do Greenpeace, a Unilever recebeu milhares de e-mails de seus consumidores, e acabou concordando com uma moratória do desmatamento na Indonésia para a produção do óleo de palma. Ou seja, depois da pressão da sociedade, a empresa tomou uma postura ambientalmente correta.
Acho que temos um bom exemplo de como deve ser a relação do consumidor e a responsabilidade da empresa com seus consumidores e com o meio ambiente. A Unilever produziu uma ótima campanha, alertando seus consumidores da monstruosa máquina da indústria da beleza, depois ela é pressionada pela sociedade e por uma organização ambientalista, e acaba revendo seus pontos na questão ambiental.
Os consumidores, quando agem de forma consciente e em conjunto, têm forças para mudar uma postura ruim de uma empresa. Vamos pressionar para que a Unilever abandone, também, os comerciais de mau gosto da Axe. Mais importante, devemos pressionar todas as empresas de atuações midiáticas duvidosas para que nos respeitem.
Rapaz, que mundo louco. “Falo que faço, mas não faço”. Rola até um pouco de hipocrisia, porque a Unilever é uma empresa enorme e que atua em várias vertentes, da estética aos alimentos e até onde eu sei, não é uma empresa totalmente “ecologicamente correta”. Legal mesmo foi a postura dos consumidores. Falta um pouco de conscientização por aqui em relação a isso, eu acho.
Ótimo texto Planta !
Conhecia a campanha publicitária da Dove, mas não tinha percebido que o desodorante Axe também pertencia a Unilever, realmente uma contradição e tanto.
Situação parecida eu citei em meu blog também. O canal Sportv fez um ótimo documentário sobre a anorexia esportiva e a busca dos atletas por um corpo perfeito, enquanto a cobertura de esportes do site da globo.com solta factóides diários sobre a beleza das tenistas em Rolland Garros; não que seja uma surpresa ver a Globo se contradizendo….rs
Aproveitei a coincidência e coloquei um link para seu post no meu blog.
Abraços