A equipe de imprensa da Petrobras tomou uma atitude curiosa: decidiu publicar todas as perguntas que os jornalistas fizeram à assessoria da empresa em um blog. O que é curioso é que eles publicaram as perguntas antes que os próprios jornais publicassem as reportagens. Segundo a Petrobras, trata-se de uma política de transparência adotada pela direção da empresa.
Veja o blog e o twitter da Petrobras.
Veja reportagem da Folha sobre o assunto.
Acho que a questão não pode ser vista sem levar em conta dois fatores: o direito de resposta (ou o “outro lado”) e a emergência da internet.
No último dia 30 de abril, o Supremo Tribunal Federal revogou por completo a Lei de Imprensa, sob o argumento de que era uma lei da ditadura que atentava contra a liberdade de imprensa. A revogação era esperada, como era esperado também que se mantivesse algum mecanismo que regulamentasse o direito de resposta – o que não ocorreu.
Atualmente, os pedidos de direito de resposta devem ser julgados pela justiça comum, o que significa, na prática, que o ofendido pode ser obrigado a esperar anos até a conclusão do processo. Um tempo que ele não tem, e que é o suficiente para fazer o que está sendo chamado de “assassinato de reputações”.
O direito de resposta é importantíssimo para a sociedade e para o pluralismo nos jornais. A imprensa não pode querer ser “promotor, juiz e júri”, e condenar em suas páginas as pessoas sem que elas se defendam, sem provas concretas, brincando de judiciário. O “outro lado” é às vezes hipócrita: o jornalista passa um mês apurando as denúncias e um dia apurando a defesa. Escreve duas páginas de denúncias e um box pequenininho com “eles negam as acusações”.
É nesse vazio que entra a internet, como caminho óbvio para quem não tem espaço suficiente para se defender nas páginas dos jornais. Um exemplo recente foi o caso do ex-guerrilheiro que publicou uma carta na internet denunciando a Folha por distorção em sua entrevista. A carta gerou certa repercussão e motivou a Folha a conceder o pedido de resposta dele. (A carta pode ser vista aqui.)
No artigo “Jornalismo e internet podem conviver juntos“, eu disse que com a internet a sociedade cria possibilidades de vigiar a imprensa e torná-la mais transparente. Acho que esse exemplo mostra bem esse novo “watchdog”.
O caso “Blog da Petrobras-Imprensa” não é isolado. Lembro aqui que a Presidência da República também publica todas as falas do presidente, sem cortes, para evitar que algum jornalista mal intencionado publique as falas fora do contexto. Agora, nunca tinha visto a fonte publicar as respostas antes da matéria. Segundo o advogado consultado pela Folha, isso não é ruim, apenas deselegante. “É apenas uma deselegância com os jornais. Do ponto de vista da democracia, não é ruim, pois a ideia é que a pergunta vai ao ar, de maneira que qualquer um do povo toma conhecimento”.
Deu muita repercussão. Pelo que vi na matéria do C-se, as opiniões ficaram bem divididas. Mas eu sou favorável ao blog, acho que a empresa, nos moldes que ela propôs no blog, está certa em evitar a “plantação” de notícias. Como vc bem citou, se há equívoco eles colocam uma nota no “Erramos” ou “negam a acusação”, desproporcionais ao alarde feito nas matérias.
Recomendo o Futepoca, que também aborda a questão aqui: http://www.futepoca.com.br/2009/06/jornaloes-tremem-com-blogue-da.html
Abraço!
Nossa, tô pirando!! faço o monitoramento de notícias da petrobras e o blog causou muito, vc não tem noção!! Eu acho que a Petrobras não tem o direito de divulgar entrevistas na íntegra antes que os veiculos que as solicitaram pq só estão fazebndo isso porque no momento é conveniente. A empresa nunca esteve as claras e não vai ser por causa de um blog que vai ser transparente! Para mim, tentar se antecipar nas informações e como correr pra jogar a sujeira pra baixo do tapete!
Tem um texto lá no meu blog tb! eu indiquei o seu.. coloquei um link!
bjumeliga