Na faculdade aprendi que o texto tinha que ser objetivo, seco, simples. Sempre em terceira pessoa, com lead e sublead, abominando adjetivos, recursos estilísticos e o famigerado nariz-de-cera. No mercado, descobri que tudo isso era verdade, não porque exista qualquer tipo de verdade universal do jornalismo, mas porque a rotina jornalística assim exige.
Qual não foi minha surpresa ao ler o texto “Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?”, publicado pela revista Época e assinado por Eliane Brum? Não uma surpresa, mas duas: uma agradável e outra bem amarga.
A surpresa amarga é óbvia. O texto fala sobre uma importante atriz de Moçambique, Lucrécia Paco, que veio apresentar uma peça aqui no Brasil e sofreu preconceito dentro do Shopping Paulista. Racismo. Sim, é verdade: no Brasil é duro ser negro.
Mas foi só passada a “vergonha” que a jornalista relata que sentiu, e que como leitor e brasileiro, eu também senti, que eu prestei atenção ao texto: sem lead, em primeira pessoa, e teoricamente quebrando todas as “regras” habituais do jornalismo. O que temos é um texto vivo, forte, e que faz o leitor perder a voz, como a redatora, no último parágrafo. Faz o leitor sentir, também ele, vergonha.
Ainda existe criatividade no texto jornalístico.
E por isso deixo aqui meus parabéns a Eliane Brum, e meu impotente “sinto muito” à Lucrécia Paco. E peço aos meus poucos leitores que corram ao site da Época e leiam a reportagem.
Olá! Eu já tinha lido este texto. Como você e como ela, eu também senti vergonha do acontecido com a Lucrécia!
Realmente é duro é difícil ser negro no Brasil, e pardo, e pobre, e mulher, e deficiente… puxa… é duro ser minoria no Brasil!
Assim… realmente nos cabe pabenizar a Eliane pelo excelentíssimo texto e subversão do lead!
Grande abraço!
Pois é Planta realmente o texto é ótimo, segui seu conselho e grande foi minha surpresa quando acessei o link aqui disponibilizado. Não somente por tudo que vc citou à respeito do formato da matéria, mais um pouco mais abaixo nos inúmeros comentários do link, encontramos mais exemplos de racismo.
Caramba, o texto acabou de falar que além de ser uma imbecilidade, agir de forma preconceituosa dá cadeia e mesmo assim tem vários internautas CONTRA a atriz de Moçambique.
Um deles chegou a dizer que após ser assaltado por dois negros, comprou uma arma e vai fazer “neguinho” virar peneira quando ver um por perto.
Só por aí já dá para responder a pergunta da jornalista.
Sim, no Brasil é duro ser negro….
abraços